Disputa entre os blocos Libra e Futebol Forte União deixa impasses na governança, enquanto a confederação tenta se firmar como mediadora do processo.
A criação de uma liga única para organizar o Campeonato Brasileiro voltou ao centro do debate político do futebol nacional em 2026, com a CBF assumindo o papel de articuladora de um processo que os próprios clubes não conseguiram resolver sozinhos. O impasse envolve dois grandes blocos de negociação comercial, a Libra (Liga do Futebol Brasileiro) e o Futebol Forte União (FFU), que disputam modelos de negócio distintos para representar os clubes na venda de direitos de transmissão. Entender essa disputa é essencial para o torcedor que quer saber por que o Brasileirão ainda não tem uma liga nos moldes de Premier League ou La Liga, e o que pode mudar até o fim da década.
Como está dividido o poder de negociação no futebol brasileiro
Atualmente, tanto a Libra quanto o FFU funcionam como estruturas de representação comercial, e não como ligas esportivas propriamente ditas: os clubes autorizam esses grupos a negociar coletivamente os direitos de televisão aberta, TV por assinatura, streaming e pay-per-view do Campeonato Brasileiro. O FFU foi criado em julho de 2022 com a proposta de profissionalizar o esporte no país e reproduzir modelos bem-sucedidos como os da Espanha e da Inglaterra, reunindo hoje 33 clubes distribuídos pelas quatro principais divisões nacionais. A Libra, por sua vez, segue um modelo sem aportes externos de investidores, o que já representa uma diferença estrutural importante entre os dois blocos. Poder360
Em abril deste ano, o presidente da CBF, Samir Xaud, reuniu na sede da entidade os 40 clubes das Séries A e B para apresentar um estudo comparando o futebol brasileiro a ligas europeias. O documento apontou que o Brasileirão movimenta receitas bem inferiores às de competições como a Premier League inglesa, a La Liga espanhola e a Bundesliga alemã, reforçando o argumento de que falta ao país um modelo de governança mais unificado. A partir desse encontro, a CBF fixou um cronograma dividido em três fases (produto, comercialização e governança) e estabeleceu julho de 2026 como prazo para que os clubes enviem propostas formais sobre o tema.
Os impasses internos que ainda travam a criação da liga
Mesmo com o prazo definido pela CBF, as divergências dentro dos próprios blocos continuam sendo o principal obstáculo para destravar o processo. Em assembleia geral realizada no início de julho, na sede da Federação Paulista de Futebol, os clubes do FFU decidiram propor um novo modelo de governança para o bloco, buscando maior participação das próprias equipes na gestão do chamado Condomínio Forte União. A reunião também aprovou a contratação de um advogado independente para representar o bloco junto ao Cade, sinalizando que os clubes buscam uma estratégia jurídica própria, separada da que vinha sendo conduzida pela estrutura original do FFU. Máquina do Esporte
A assembleia ainda definiu uma comissão, formada por dirigentes de Fluminense, Internacional, Vasco, Athletico-PR e Corinthians, entre outros clubes da Série A e da Série B, encarregada de dialogar diretamente com a CBF e com a Libra sobre a criação da liga unificada. Esse tipo de movimento interno mostra que, mesmo com um cronograma institucional proposto pela confederação, a disputa por poder e por participação nas decisões financeiras segue sendo o ponto mais sensível de toda a negociação. A tendência é que o segundo semestre de 2026 concentre boa parte das definições sobre o modelo final de governança, com reflexos diretos sobre calendário, distribuição de receitas e o futuro comercial do Campeonato Brasileiro a partir de 2030.
O desfecho dessa disputa vai muito além de uma reorganização administrativa: ele deve moldar como o futebol brasileiro vai se financiar e se apresentar ao mercado internacional na próxima década. Enquanto Libra, FFU e CBF não chegam a um consenso definitivo, o torcedor segue acompanhando um processo que, embora pouco visível no dia a dia dos estádios, vai determinar aspectos centrais do produto Brasileirão nos próximos anos. Fontes: Máquina do Esporte e Poder360.
