O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma importante consulta pública com o objetivo de colher propostas da sociedade civil para o combate ao racismo no futebol. Essa iniciativa é uma resposta à crescente preocupação com os episódios de discriminação racial que ainda persistem no esporte brasileiro, especialmente dentro dos estádios. O MPF convida todos os cidadãos e organizações a enviarem suas sugestões até o dia 23 de abril de 2025. A medida visa criar um ambiente mais inclusivo e seguro para atletas e torcedores, buscando erradicar práticas que perpetuam o racismo dentro do futebol nacional.
A consulta pública é um desdobramento de um inquérito civil aberto pelo MPF em 2025, com foco específico no caso de Luighi Hanri Sousa Santos, jogador da equipe sub-20 do Palmeiras. Luighi foi alvo de ofensas racistas durante uma partida contra o Cerro Porteño, do Paraguai, pela Copa Libertadores Sub-20, realizada em março de 2025. Esse episódio gerou indignação e levou o Ministério Público a investigar a omissão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em tomar medidas efetivas para coibir o racismo e garantir a proteção dos atletas em competições internacionais.
O racismo no futebol brasileiro é uma realidade alarmante que não pode ser ignorada. Desde os primeiros registros de discriminação racial nas arquibancadas até as atitudes preconceituosas dentro de campo, o futebol ainda luta contra práticas que marginalizam jogadores negros. A situação de Luighi é um reflexo do problema estrutural que persiste nas competições e dentro das instituições que gerenciam o esporte no Brasil. O fato de o jogador ter sido vítima de ofensas racistas em uma competição internacional levanta questões sobre a responsabilidade da CBF e de outros órgãos responsáveis pela organização das partidas.
As propostas recebidas durante a consulta pública serão debatidas em uma reunião agendada para o dia 28 de abril de 2025. Nessa reunião, estarão presentes representantes da CBF, do Ministério do Esporte e do Ministério da Igualdade Racial. O objetivo é estabelecer um plano de ação claro e eficaz para prevenir novas ocorrências de racismo no futebol brasileiro. A presença dessas autoridades é crucial para garantir que as propostas sejam transformadas em medidas concretas e implementáveis, que de fato façam a diferença no combate à discriminação racial no esporte.
Além das medidas punitivas, é importante destacar que a educação e a conscientização desempenham um papel fundamental na erradicação do racismo no futebol. O MPF busca envolver não apenas os gestores do esporte, mas também os clubes, os jogadores e, principalmente, os torcedores, que têm grande influência no ambiente dos estádios. Programas de educação sobre igualdade racial, respeito e tolerância precisam ser implementados com urgência, a fim de transformar a cultura futebolística e eliminar o preconceito que ainda permeia os campos e as arquibancadas.
É essencial que a CBF assuma sua responsabilidade na luta contra o racismo e tome medidas mais rigorosas para evitar que casos como o de Luighi se repitam. Embora a confederação tenha um histórico de tentativas de combater o racismo, a falta de ações efetivas e a omissão diante de episódios graves, como o de março de 2025, revelam que há muito a ser feito. A pressão da sociedade, através de consultas públicas e outros canais, é fundamental para que o órgão máximo do futebol no Brasil seja forçado a agir de forma mais contundente.
A participação da sociedade civil nesse processo é de extrema importância, pois só através da união de esforços será possível criar um ambiente mais igualitário e respeitoso no futebol. A consulta pública do MPF é uma excelente oportunidade para que todos aqueles que se preocupam com a justiça e a igualdade racial no esporte possam contribuir com suas ideias. As propostas podem ser enviadas até o dia 23 de abril de 2025, e o MPF está comprometido em analisar cada sugestão com atenção, para que o futebol brasileiro se torne um espaço de inclusão para todos.
Em um cenário ideal, as medidas que serão discutidas e implementadas a partir dessa consulta pública não apenas combaterão o racismo, mas também fortalecerão os princípios de justiça e igualdade dentro do esporte. O futebol, como um dos maiores fenômenos culturais do Brasil, tem o poder de influenciar a sociedade de maneira profunda. Portanto, erradicar o racismo no futebol é uma tarefa que transcende os campos, impactando diretamente na construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos.
Autor: Vondern Samsyre